Procuramos viver consoante os nossos ideais. Agarrar-nos portanto, à parte não palpavel da vida. Tentamos ser algo mais, algo maior. Como se toda a vida, tentasse-mos ascender a algo que todos os outros não conseguirão alcançar. No fundo, todos procuramos ser diferentes, e por muito que custe admitir, todos vivemos em funçao dos outros. O combate à inadaptação, à exclusão, no fundo, o combate a tudo e a nada. Vivemos em constante agitação, a altas velocidades, como se a paz interior, o pacifismo e o sossego não existissem. Nessa agitação, nao nos apercebemos que o dizemos viver, nao se chama vida. Existimos na ilusão de ter-mos e ser-mos algo que não somos, fingindo que controlamos algo que a ninguem compete controlar. Assim, vivemos ocupados a julgar que somos sem o ser-mos. A inquietação que se guarde para depois. Limitados a ultrapassar os problemas e obstaculos do dia-a-dia, só assim conseguimos achar entender algo que nos transcende. Ninguem vive. Neste momento de calma aparente mas de revolta interior aconselho-te. Procura algo que fuga do que conheçes, foge do dia-a-dia, foge de tudo, foge da vida. Talvez assim possas viver.
Diogo Martins
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